segunda-feira, 22 de julho de 2013

E siga a dança


 


I.Espero que me desculpem. É certo que nada me habilita  a avaliar preferencialmente a ninguém seja o  que for, muito pelo contrário.

 Contudo na humildade de um contributo franco de cidadão preocupado com País, gostaria de partilhar convosco algumas reflexões. Talvez  várias cabeças a pensar sobre o mesmo assunto cheguem a ideias mais claras

Francamente estou saturado de escutar opiniões que tomam muito a sério a ideia veiculada de que o País só se salva de um abismo se os três partidos do arco da governação acordarem como pagar a dívida à Troika

Quem esteve atento, o Senhor Presidente da República que já em tempos nos elucidara que jamais se engana e muito menos tem dúvidas, dizia-se, no paraíso das ilhas Selvagens, “imune a todo o tipo de pressões “, esclarecendo que para chegar à conclusão que chegou  ouviu muita gente e leu muitos documentos, quase permitindo a interpretação en passant que a própria Troika exigia ou desejava o tal do acordo.

Ora isto em rigor  NÃO PODE SER precisamente assim ! E porquê ? Porque os credores têm sempre os direitos deles garantidos quer esteja no nosso Governo alguém da coligação ou alguém do PS ou outro partido. Em nenhuma hipótese deixariam de receber.

 Se houver um Governo PS como houve já, ele pagará, se for outro, também. APENAS A FORMA DE PAGAMENTO PODE DIVERGIR CONSOANTE as diferenças DOS PROGRAMAS DOS GOVERNOS EM CAUSA.

Logo, a Troika não exigiu um acordo, porque a Troika não depende em nada de acordo nenhum para receber o seu dinheiro. ESTÁ SEMPRE GARANTIDA !

II.

Reparem , antes de mais o Presidente esperou muitos dias até intervir.

Enquanto esperou esperaram todos, toda a oposição sossegou. Depois apresenta a ideia do acordo que sabe não será obtido.

 Mas impondo essa necessidade moral de não o desautorizar , de zelo ao alegado  interesse público,  objectivamente neutraliza o PS que não se empenha face a tão alto limite, no combate para fazer cair o Governo.

III

Todo este tempo permite à coligação refundar-se, atar as pontas de alguns laços sem oposição de ninguém, pois o País aguardava o Presidente.

IV

Finalmente a boa da moção de censura/confiança dos Verdes como não podia deixar de prever-se permite uma demonstração de união ao Presidente a que no seu discurso expressamente se refere , dizendo : atento o apoio de peso parlamentar e em alternativa aos enunciados males de um processo eleitoral ou de um governo tecnocrata , pois estão estes legitimados para todo o mandato.

EU SEMPRE ACHEI QUE ERA ISTO QUE QUERIA DECIDIR, RECONHEÇO QUE ESTRATEGICAMENTE DO PONTO DE VISTA POLÍTICO QUANDO TRÁS A DEBATE “UM ACORDO” DAQUELES eu mal avaliando ou compreendendo cuidei que LHE TIVESSE ESCAPADO ALGUMA COISA, mas não : Foi  brilhante : sossegou a situação e estabilizou-a e viabilizou  consequentemente o Governo sem ficar comprometido.

 

IV. Sinceramente parece-me que lhe escapa só uma pequenina peça de toda esta engrenagem : a reação, não do PS, da esquerda, mas do POVO PORTUGUÊS à continuação cega da política da austeridade. Confortar as Conferações Patronais e Empresariais porque “elas geram o dinheiro  e as empresas “, pode não ser o suficiente.

 Se o dinheiro e o poder estivesse mesmo todo concentrado nos mais ricos, não poderiam subtraí-lo como o vêm fazendo sempre aos mais pobres.

Esta coligação voltará a ter problemas.

E este Governo mais ainda se tudo prosseguir sem alternativas.

V . Eu pergunto : que trabalho diplomático se faz  por Portugal, utilizando até  mesmo dos mesmos veículos usados para chegar a nós ?

Por exemplo : acaso enquanto decorre um certame para debate de temas de trabalho, será que os representantes da diplomacia  Portuguesa aproveitam o evento e organizam programas de tempos livres com apresentações de imagens sobre o País, divulgação das suas filigranas, bordados, vinhos, etc, etc. Será que divulgam programas culturais, cursos de especialização, investigação , etc , etc.

Será que um Governo com um MNE que não apreciava tal cargo difundia, divulgava, promovia o conhecimento do País lá fora e atraía para cá investimento ? Estarão a fazer algo disso os nossos representantes diplomáticos pela Europa e pelo mundo ?...

Ou não será verdade que se limitam a escutar  regras de pagamento , anotam-nas e regressam , sem mais para as executar sem pensar sobre elas como se fossem um dever escolar nas mãos de meninos bem comportados ?.

VI.

Existem grandes diferenças entre  INCUMPRIR obrigações ( o que ninguém deseja) e NEGOCIÁ-LAS

VII

O momento histórico vivido entre nós permite-nos pouco espaço à esperança. MAS num governo para o qual   AS DIFICULDADES são OPORTUNIDADES o Povo Português  deixa um último desafio : PORQUE NÃO TRANSFORMAR AS DIFICULDADES COM OS CREDORES em OPORTUNIDADES de BONS NEGÓCIOS com esses mesmos credores ?

Lembrem-se por exemplo que há certas quantias que pelas regras de direito internacional talvez um Tribunal Português não possa apreender no estrangeiro, mas se elas forem transformadas em títulos e entregues aos nossos credores para ir abatendo nos pagamentos, não acederia a tais verbas o FMI, o Banco de Comércio Europeu, por exemplo ? ( é só uma ideia )

Importa  ousar  com criatividade, saindo da politiquice caseira que  só nos vem acumulando prejuízos há largos anos.

As pessoas merecem ser Governadas com o respeito devido à dignidade humana !

21 de Julho de 2013

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