I.Espero que me desculpem. É
certo que nada me habilita a avaliar
preferencialmente a ninguém seja o que
for, muito pelo contrário.
Contudo na humildade de um contributo franco
de cidadão preocupado com País, gostaria de partilhar convosco algumas
reflexões. Talvez várias cabeças a
pensar sobre o mesmo assunto cheguem a ideias mais claras
Francamente estou saturado de
escutar opiniões que tomam muito a sério a ideia veiculada de que o País só se
salva de um abismo se os três partidos do arco da governação acordarem como
pagar a dívida à Troika
Quem esteve atento, o Senhor
Presidente da República que já em tempos nos elucidara que jamais se engana e
muito menos tem dúvidas, dizia-se, no paraíso das ilhas Selvagens, “imune a
todo o tipo de pressões “, esclarecendo que para chegar à conclusão que chegou ouviu muita gente e leu muitos documentos,
quase permitindo a interpretação en passant que a própria Troika exigia ou
desejava o tal do acordo.
Ora isto em rigor NÃO PODE SER precisamente assim ! E porquê ?
Porque os credores têm sempre os direitos deles garantidos quer esteja no nosso
Governo alguém da coligação ou alguém do PS ou outro partido. Em nenhuma
hipótese deixariam de receber.
Se houver um Governo PS como houve já, ele
pagará, se for outro, também. APENAS A FORMA DE PAGAMENTO PODE DIVERGIR
CONSOANTE as diferenças DOS PROGRAMAS DOS GOVERNOS EM CAUSA.
Logo, a Troika não exigiu um
acordo, porque a Troika não depende em nada de acordo nenhum para receber o seu
dinheiro. ESTÁ SEMPRE GARANTIDA !
II.
Reparem , antes de mais o
Presidente esperou muitos dias até intervir.
Enquanto esperou esperaram todos,
toda a oposição sossegou. Depois apresenta a ideia do acordo que sabe não será
obtido.
Mas impondo essa necessidade moral de não o
desautorizar , de zelo ao alegado
interesse público, objectivamente
neutraliza o PS que não se empenha face a tão alto limite, no combate para
fazer cair o Governo.
III
Todo este tempo permite à
coligação refundar-se, atar as pontas de alguns laços sem oposição de ninguém,
pois o País aguardava o Presidente.
IV
Finalmente a boa da moção de
censura/confiança dos Verdes como não podia deixar de prever-se permite uma
demonstração de união ao Presidente a que no seu discurso expressamente se
refere , dizendo : atento o apoio de peso parlamentar e em alternativa aos
enunciados males de um processo eleitoral ou de um governo tecnocrata , pois
estão estes legitimados para todo o mandato.
EU SEMPRE ACHEI QUE ERA ISTO QUE
QUERIA DECIDIR, RECONHEÇO QUE ESTRATEGICAMENTE DO PONTO DE VISTA POLÍTICO
QUANDO TRÁS A DEBATE “UM ACORDO” DAQUELES eu mal avaliando ou compreendendo
cuidei que LHE TIVESSE ESCAPADO ALGUMA COISA, mas não : Foi brilhante : sossegou a situação e estabilizou-a
e viabilizou consequentemente o Governo
sem ficar comprometido.
IV. Sinceramente parece-me que
lhe escapa só uma pequenina peça de toda esta engrenagem : a reação, não do PS,
da esquerda, mas do POVO PORTUGUÊS à continuação cega da política da
austeridade. Confortar as Conferações Patronais e Empresariais porque “elas
geram o dinheiro e as empresas “, pode
não ser o suficiente.
Se o dinheiro e o poder estivesse mesmo todo
concentrado nos mais ricos, não poderiam subtraí-lo como o vêm fazendo sempre
aos mais pobres.
Esta coligação voltará a ter
problemas.
E este Governo mais ainda se tudo
prosseguir sem alternativas.
V . Eu pergunto : que trabalho
diplomático se faz por Portugal,
utilizando até mesmo dos mesmos veículos
usados para chegar a nós ?
Por exemplo : acaso enquanto
decorre um certame para debate de temas de trabalho, será que os representantes
da diplomacia Portuguesa aproveitam o
evento e organizam programas de tempos livres com apresentações de imagens
sobre o País, divulgação das suas filigranas, bordados, vinhos, etc, etc. Será
que divulgam programas culturais, cursos de especialização, investigação , etc
, etc.
Será que um Governo com um MNE
que não apreciava tal cargo difundia, divulgava, promovia o conhecimento do
País lá fora e atraía para cá investimento ? Estarão a fazer algo disso os
nossos representantes diplomáticos pela Europa e pelo mundo ?...
Ou não será verdade que se
limitam a escutar regras de pagamento ,
anotam-nas e regressam , sem mais para as executar sem pensar sobre elas como
se fossem um dever escolar nas mãos de meninos bem comportados ?.
VI.
Existem grandes diferenças entre INCUMPRIR obrigações ( o que ninguém deseja) e
NEGOCIÁ-LAS
VII
O momento histórico vivido entre
nós permite-nos pouco espaço à esperança. MAS num governo para o qual AS DIFICULDADES são OPORTUNIDADES o Povo
Português deixa um último desafio :
PORQUE NÃO TRANSFORMAR AS DIFICULDADES COM OS CREDORES em OPORTUNIDADES de BONS
NEGÓCIOS com esses mesmos credores ?
Lembrem-se por exemplo que há certas
quantias que pelas regras de direito internacional talvez um Tribunal Português
não possa apreender no estrangeiro, mas se elas forem transformadas em títulos
e entregues aos nossos credores para ir abatendo nos pagamentos, não acederia a
tais verbas o FMI, o Banco de Comércio Europeu, por exemplo ? ( é só uma ideia
)
Importa ousar
com criatividade, saindo da politiquice caseira que só nos vem acumulando prejuízos há largos
anos.
As pessoas merecem ser Governadas
com o respeito devido à dignidade humana !
21 de Julho de 2013

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